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Hammond C3

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“Esse sonho é antigo: eu sempre me perguntava porque eu não tinha colocado as mãos num Hammond-com-Leslie, exceto na gravação do LP do Moto Perpetuo e no show de estréia da banda, no Teatro 13 de maio…isso lá nos idos de 1974…Nunca antes, e nunca mais… Fui um músico “pobre”, tive um Órgão Caribbean, bem precário, com um amp Phelpa, 30 watts, de contrabaixo…Era com isso que eu me virava pra tocar o rock dos 60 e 70… Me virava bem, mas a história era injusta comigo, já que os baileiros (Kompha, Memphis, Vat69, Lee Jackson, Pholhas, etc.) eram riquinhos e tinham nas mãos esse nível de instrumentos. Eu, que modestia à parte, viria a ser o mais talentoso daquela geração, nada… Tinha que me virar com sonzinho transistorizado…então eu preferia tocar Doors, Iron Butterfly, porque eu podia emular os Farfisa e Vox…e deixava pra lá os gigantes Deep Purple, Aphrodite´s Child, Procol Ha rum, Emerson Lake & Palmer, Yes, porque aquele som de Hammond eu não chegava nem perto… Mas, quando fiz os estúdios da Coaxo, desde o inicio permanecia essa vontade…Com a crise financeira na América, um monte de raridades apareceram no leilão on-line. Fechei então com a TAM pra trazer esse C3, de 1956, originário do Arizona, onde pertenceu a um casal de aposentados, que nele curtiram suas rumbas, mambos e merengues, a uma humidade de 15%, portanto uma máquina zeradaça… Dicas: Os C3, órgãos mais de igreja e usados por mulheres, hoje em dia, são uma certeza de que não rodaram pelas gigs de Rock’n Roll…Os preferidos sempre foram os B3, iguaizinhos aos C3, mas sem a saia de madeira que pesa mais uns 40 kg… Mas a maioria dos B3 estão muito bagaçados, precisam ser reconstruídos por génios, como o espetacular Warwick de São Paulo. Tocar num Hammond bem conservado e lubrificado é uma “manteiga francesa”, um deslizar nas ondas douradas do som mais válvulado, quente, que existe… Outro dia, toquei 7 horas seguidas de Procol Harum, umas 4 só de “A Whiter Shade of Pale”, (particularmente, eu toco tão bem quanto o original…).”

Guilherme Arantes

Confira a matéria da Revista TAM nas Nuvens (Edição 20 / Agosto 2009)
sobre a vinda do Hammond C3 de Guilherme Arantes pela TAM Cargo.

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