Publicado por coaxo do sapo

Ver todos os posts de coaxo do sapo

CONDIÇÃO HUMANA (SOBRE O TEMPO)

Publicado em: BLOG, FOLIO | 12 Comentários | Publicado em por coaxo do sapo

Guilherme Arantes – Condição humana (2013)

Novo disco do cantor e compositor paulistano Guilherme Arantes, “Condição humana”, que tem como subtítulo o nome “Sobre o tempo” é o primeiro disco de inéditas do artista lançado exclusivamente pela sua gravadora, a Coaxo do Sapo. Nessa nova etapa em sua carreira, Guilherme faz jus ao termo “Independente”, colocando em suas composições e sonoridades, um toque singular de estranhamento com o mundo moderno e suas peculiaridades.

Resolvi mostrar nesse disco, logo de cara, que existe uma “pegada” no piano (já que o segredo está mesmo nas mãos), “pegada” essa que ninguém jamais vai me copiar. Cada um tem a sua “pegada” no instrumento, eu tenho a minha, e as pessoas gostam de mim por isso, acima de qualquer outra coisa. Isso é claro.

Então este é um disco de “pegada”. O som do Guilherme, com a sonoridade única da virada dos 70 para os 80, está de volta.

Desta vez foi mandatório não fazer nenhuma concessão e não ficar ouvindo abobrinha de nenhum produtor que tenha caído “de paraquedas” no meu trabalho…

COMPRE AQUI O ÁLBUM “CONDIÇÃO HUMANA (2013)”!

Me juntei com a minha banda – Luiz Sergio Carlini (guitarras e violões), Willy Verdaguer (baixo), Alexandre Blanc (guitarras e violões), Gabriel Martini (baterias e percussões) e com minha equipe, pra fazer um disco que fosse seminal, no mínimo. Um disco que passasse a minha visão de estranhamento num mundo que até às vezes parece perfeito… O meu incômodo numa sociedade que até às vezes parece evoluir para a felicidade geral… O meu desconforto num “sistema” que tenta passar a imagem de que a tudo engole, a todas as diferenças se adapta, a todas as minorias contempla, um “sistema” a cada dia mais justo, porém amorfo e chocho, sem arestas nem contestações.

Um “sistema” que transforma todas as inquietações em mercadoria. Uma absoluta “ordem social” politicamente correta, com todos os perigos que essas “perfeições de ordem social” nos remetem. Eu precisava vomitar um disco que viesse sanguinolento, com guts, com “culhões” de quem tem o que dizer e está pouco se lixando se o mundo vai aceitar ou não…

Os festivais de música são um desfile bem-comportado de artistas competentes em sua função utilitária de servir à massa, que é uma imensa e generalizada “balada”. Tudo é uma confortável “balada”. Nunca houve um tempo tão ridículo em maneirismos e hábitos, quanto este atual. Essa é a minha sensação e das pessoas da minha geração.

Não temos nada mais a perder, estamos na virada dos 60, vovôs, e podemos ser ranzinzas à vontade – aliás, é o melhor que podemos fazer. Um dia, lá na frente, as pessoas vão rir das galeras postando seus vazios nas redes no celular, assim como hoje parecem ridículas nossas roupas e cabelos dos anos 80… Pra minha geração, que viu e viveu os anos 60, Woodstock, Luther King, Godard e a convulsão no cinema, barricadas nas ruas de Paris, o sangue nos porões de uma latino-américa lancinante, o mundo em 2013, que não acabou em 2012, é de uma acomodação geral, hilariantemente inaceitável. O “sistema” já equacionou e sabe lidar com as contraposições e propostas alternativas, e a tudo rapidamente amolda em “boxes” de mercado…

As letras deste disco, deste ano, não podiam excluir essa sensação de náusea. Náusea com a corrupção mundial, os ratos dos governos invariavelmente por trás de toda a perversidade e sacanagem do mundo. Náusea com o mercadejar da fé, nesse tempo de tantos apelos ao plano “sobrenatural”, tão ridículo e podre quanto os poderes terrenos. Náusea porque o “politicamente correto” inclui um “respeito” à mentira e à empulhação. Indignação porque todo dia o noticiário traz novas desilusões, o dinheiro correndo solto na impunidade geral. Náusea porque o mundo caminha claramente para o colapso, porque as corporações não estão nem aí e vão até o fim, até a curva populacional explodir, já que nem curva é mais, e sim um elevador vertical rumo a um formigueiro boçal onde a ignorância e a grosseria são parte da “atitude”. O importante é ter “atitude”. O importante não é o que somos, mas o que está na rede. O que não está na Rede, não está no mundo…

Claro que eu fiz algumas canções de amor, já que nem só de indignação e inconformidade se transforma o mundo… Tem até o resgate de uma “canção de gesta”, que fiz aos 16 anos de idade.

Todas as canções falam do tempo.

Daí o subtítulo “Sobre o Tempo”. É esse tempo que passou, e que ainda nos resta, que interessa. É a urgência do grito e o olhar panorâmico sobre o acervo do que vivi. Uma conclusão eu tirei da minha crise: Jovem é quem corre para a morte. Velho é quem foge dela. Se estou correndo para a morte, ansiando pelo tempo que me resta correr veloz, então ainda sou jovem. Se estou tentando evitar a morte, se procuro qualquer atalho ou ponte para atravessar o destino inevitável, então estou velho. Não à toa, com este disco eu me sinto de novo com 20 anos”.

 
Ficha Técnica:
Músicos:
Guilherme Arantes - Voz / Pianos Acústicos / Harpsicordio (cravo) / Órgão / Clavinete / Pianos Elétricos / Harmonium / Teclados / Programações
Willy Verdaguer - Baixo
Gabriel Martini - Bateria / Percussões / Guitarra complementar (“O que se leva”)
Luiz Sergio Carlini – Guitarras / Violões de 06 e 12 cordas / Lap steel-guitar (“Onde estava você”)
Alexandre Blanc - Guitarras / Violões / Mandolim / Lap Steel-guitar (“Oceano de amor”)
 
Participações Especiais:
Cassio Poletto - Violinos (“Oceano de amor” e “Você em mim”)
Ricardo Lima - Percussão (“Condição humana”, ”Moldura do quadro roubado” e “Cruzeiro do sul”)
Edgard Scandurra – Guitarra e Talk-box (“Onde estava você”)
Marcelo Jeneci - Voz e Acordeon (“O que se leva”)
Marietta Vital e Luciana Oliveira - Coro (“Cruzeiro do sul”)
Assistente no Coaxo do Sapo e Técnico nos vocais de “Cruzeiro do sul”: Mario Amaral
Coros gravados no Estúdio YB (SP) por Gustavo Lenza:
“Onde estava você”: Alexandre Kassin, Adriano Cintra, Bruna Caram, Curumin, Duani, Edgard Scandurra, Laura Lavieri, Luciana Oliveira, Marcelo Jeneci, Marcelo Segreto, Mariana Aydar, Marietta Vital, Thiago Pethit, Tiê e Tulipa Ruiz
“O que se leva”: Bruna Caram, Laura Lavieri, Luciana Oliveira, Mariana Aydar, Marietta Vital, Tiê e Tulipa Ruiz
Guitarras de Edgard Scandurra e acordeon de Marcelo Jeneci gravados no Estúdio YB (SP) por Diego Techera
Produção executiva para a gravação do coro: Kalil Higa Anderson Carlos (Libertà Entretenimento)
Colaborador na arregimentação do coro: Marcus Preto
Masterização: Carlos Freitas – Classic Master (SP)
CopyRights das canções: Sony ATV Publishing
Projeto gráfico: Anna Turra
Fotos: Pedro Matallo (Guilherme e coro)
Tiago Arantes e Kaya Verruno (Banda, Scandurra e Jeneci)
 
Todas as faixas compostas por Guilherme Arantes
Produzido por Coaxo do Sapo - Guilherme Arantes, Gabriel Martini e Pedro Arantes
Gravado entre janeiro e fevereiro de 2013, no estúdios Coaxo do Sapo, Barra do Jacuípe, Camaçari – Bahia 

Acesse o site, GuilhermeArantes.com e fique por dentro das novidades do artista.

COMENTÁRIOS

Total: 12 Comentários

Marilene disse: 10 de abril de 2013 às 9:56 PM | Responder

Maravilhoso… Guilherme.. e se ele se sente com 20 anos … eu me sinto com 12… idos de 1976… quando o descobri e elegi na minha vida… delícia de música que me encanta como sempre me encantou…parabéns querido e sucesso… sempre seu… bjs Marilene

  • Pingback: Rolling Stone Brasil – Edição 79 Abril 2013 | Coaxo do Sapo

  • Fatima Araujo disse: 21 de abril de 2013 às 9:32 AM | Responder

    Muito bom,é maravilhoso ter melodias que sintonizam voz e instrumentos,dividindo a audição entre um e outro.Ótima sintonia.AMOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

    Rogerio Barros disse: 4 de junho de 2013 às 10:11 PM | Responder

    É assim que se faz música, com amor e rebeldia. Voltei ao tempo do moto perpétuo, da neblina descendo a serra, na tua palavra direta e filosófica e no seu piano.

    Clovis Vieira disse: 5 de junho de 2013 às 1:43 PM | Responder

    Impressionante como Guilherme Arantes não perdeu a mão! Ou a ‘pegada’ como ele mesmo diz. E é impressionante como ele consegue ‘facilmente’ criar música boa, que se ouve com prazer muitas e muitas vezes seguidas. Parabéns, cara!

  • Pingback: “Condição humana” – Guilherme Arantes « LOJA COAXO DO SAPO

  • Pingback: Condição humana – Guilherme Arantes (2013) « LOJA COAXO DO SAPO

  • Dan Nery disse: 15 de setembro de 2013 às 2:39 PM | Responder

    Que album fantástico,nao consigo parar de ouvir.

  • Pingback: Olhar estrangeiro – Videoclipe Oficial | Coaxo do Sapo

  • Isabella disse: 10 de janeiro de 2014 às 9:57 AM | Responder

    Vc é fantástico! ❤️

  • Pingback: ONDE ESTAVA VOCÊ – VERSÃO ACÚSTICA | Coaxo do Sapo

  • Pingback: FELAS GIG – OQUADRO & GUILHERME ARANTES (BUGUINHA DUB REMIX) | Coaxo do Sapo

  • COMENTAR